Era verão,
o dia estava cinzento
e anunciava o amanhecer.
Uma sensação fria invadiu o meu corpo,
não me contive, comecei a correr.
O vento se rebelava e desmanchava os meus cabelos.
Um misto de prazer invadiu o meu ser
e eu me senti molhada,
... começou a chover!
Em pleno mês de maio, nada melhor que este afago poético do poeta juiz-forano Carlos José Lopes em seu livro Pulsátil/1983:
Maio
desnuda árvores
e amores
enfeita noivas
o chão do parque
Maio
Teus pequenos dias
tuas pequenas luas
a boiarem no céu imenso
Maio
o outono evoca
tua tradição romântica
teu passado de esperanças lívidas
alimentando a cidade
atenta
às suas manhãs
tão úmidas
tua vastidão de horas
a impulsionar
minha alma
ávida de paixões
Maio
dilui-se rapidamente
não espera
que o tempo o segure
pra contar
suas histórias
aos poetas