Qual dentre vós ao entrar em um site, não se emocionaria ao ver um pai preparar o quarto da filha? Se algum de vocês, internautas, que nunca deixaram ser tocados pela emoção, que atirem a primeira pedra!
- Confesso, não pude me conter!
- Por favor, ouçam-me!
- Sim, entrei no site, página aberta aguçando a minha curiosidade ... o texto Histórias de Rodapé.
A história começa quando o autor resolve reformar o quarto da filha, Duda, e retira os rodapés para pintá-los. E qual não foi a sua surpresa ao deparar com alguns objetos perdidos com o tempo.
Ele de tão absorto, em suas descobertas, nem percebeu a minha presença e como o arqueólogo Walter Neves pinçava, um a um, os objetos encontrados naquele local. O material, verdadeiro convite ao diálogo e evocava todas as pessoas conhecidas para ajuda-lo nessa empreitada.
Em um canto, um tanto reservada, encontrei a senhorita Amelié, talvez pela situação semelhante vivida por ela. Ao contrário dela, Anderson não iria atrás de seus donos para devolver os seus pertences e sim ouviria daqueles achados suas histórias, estava curioso por suas narrativas.
Um pouco à frente rodeado por Machado, Barthes e Calvino entregou-se as suas elucubrações e via a pequena Duda habitando um quarto impregnado de memórias. De súbito, o autor saiu desse êxtase, recolocou os rodapés, pegou as ferramentas e por pouco, eu não ficava encarcerada nas entrelinhas de suas escrituras.
Caso vocês queiram vivenciar essa aventura, vá ao site, em Categorias: cliquem Literatura e se deleitem com o texto Histórias de Rodapé. Mas fiquem espertos, e se de lá saírem, por favor, tragam-me notícias de Duda!
* Dialogando com o texto Histórias de Rodapé do prof. Anderson Luís da Silva no Site Comcime UFJF.
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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020
segunda-feira, 18 de julho de 2011
A Lei dos 15 minutos
Seja de supermercado ou de banco, quer coisa pior que fila? Se vamos as compras, nos sentimos descontraídos (as) a começar pela roupa mais confortável. O estar psicologicamente preparado (a) para o consumo nos dá um pequeno prazer, se colocar atrás um do outro não faz muita diferença, bem, até a máquina dar o total a pagar.
Naquela quinta-feira, o cumprimento da "Lei dos 15 minutos" nunca fora tão questionado, a morosidade como o estabelecimento conduzia o atendimento, a contrariava. Não tinha outra coisa a fazer, a não ser esperar. Cansada começou a divagar, viu-se na pré-escola preparando-se para a sua primeira fila meio desconsertada diante de tantos coleguinhas a sua frente. Deixava a sala de aula mantendo a ordem por tamanho, tropeçando uns nos outros e ali começava a primeira lição de civilidade.
Quarenta minutos foi o bastante para destruir toda a sua aprendizagem e para piorar aparece aquela velha conhecida, que o tempo não parecia ter passado para ela. Chega de constrangimentos, não quis aguardar a sua vez e despediu-se da amiga. Correu para casa, diante do espelho pôs-se a virar de vários ângulos, já não era mais a mesma, sentia-se obtusa. Se é, que vocês me entendem!
Na manhã seguinte, ouviu pela rádio local que a agência bancária fora fechada e lacrada por desrespeito a "Lei dos 15 minutos". Em parte sentiu-se aliviada mas o estrago estava feito, ficou desejosa de uma nova lei que a despertasse para a vida, não de forma tão cruel como esta.
Agora, ciente das mudanças inevitáveis, com os pés no chão, prepara-se para à maturidade.
Naquela quinta-feira, o cumprimento da "Lei dos 15 minutos" nunca fora tão questionado, a morosidade como o estabelecimento conduzia o atendimento, a contrariava. Não tinha outra coisa a fazer, a não ser esperar. Cansada começou a divagar, viu-se na pré-escola preparando-se para a sua primeira fila meio desconsertada diante de tantos coleguinhas a sua frente. Deixava a sala de aula mantendo a ordem por tamanho, tropeçando uns nos outros e ali começava a primeira lição de civilidade.
Quarenta minutos foi o bastante para destruir toda a sua aprendizagem e para piorar aparece aquela velha conhecida, que o tempo não parecia ter passado para ela. Chega de constrangimentos, não quis aguardar a sua vez e despediu-se da amiga. Correu para casa, diante do espelho pôs-se a virar de vários ângulos, já não era mais a mesma, sentia-se obtusa. Se é, que vocês me entendem!
Na manhã seguinte, ouviu pela rádio local que a agência bancária fora fechada e lacrada por desrespeito a "Lei dos 15 minutos". Em parte sentiu-se aliviada mas o estrago estava feito, ficou desejosa de uma nova lei que a despertasse para a vida, não de forma tão cruel como esta.
Agora, ciente das mudanças inevitáveis, com os pés no chão, prepara-se para à maturidade.
domingo, 12 de junho de 2011
A senha
Tal dia é o batizado, assim recebeu o convite da amiga para a cerimônia religiosa na igreja local. Ao ser comunicada desta forma, desencadeou, nela, um processo de negação e foi fundo ao passado.
Lembrou-se de Gilberto Alencar em seu livro Tal dia é o batizado, o romance de Tiradentes; o título era a senha usada para avisar aos conjurados do dia em que devia explodir a revolta em Minas Gerais. Com certeza, sua amiga conseguiu o feito não conseguido por eles devido a traição de Joaquim Silvério dos Reis.
Após cientificar-se de que nada a comprometeria nas entrelinhas deste blog, contou-me: o batizado a colocaria frente a frente ao pai da criança com quem vivera um amor platônico. Isto mesmo, um amor platônico! Não é uma loucura?
A princípio pensei tratar-se de um caso patológico, desses acostumados a vermos nos romances de Eça de Queiroz, a típica personagem permeável, lembra-se? Bem, não estamos aqui para julgá-la e sim como sua confidente.
Quando me deixou, estava mais tranquila, bolando mil desculpas para não ir a cerimônia. Agora, cá entre nós, como uma frase pôde despertar uma leitora depois de tantos anos em um contexto tão diferente? Não sei em que vai dá isto, só sei que vou tomar uma chuverada de uns vinte minutos, vestir o meu pijama e dormir. Boa- noite!
Lembrou-se de Gilberto Alencar em seu livro Tal dia é o batizado, o romance de Tiradentes; o título era a senha usada para avisar aos conjurados do dia em que devia explodir a revolta em Minas Gerais. Com certeza, sua amiga conseguiu o feito não conseguido por eles devido a traição de Joaquim Silvério dos Reis.
Após cientificar-se de que nada a comprometeria nas entrelinhas deste blog, contou-me: o batizado a colocaria frente a frente ao pai da criança com quem vivera um amor platônico. Isto mesmo, um amor platônico! Não é uma loucura?
A princípio pensei tratar-se de um caso patológico, desses acostumados a vermos nos romances de Eça de Queiroz, a típica personagem permeável, lembra-se? Bem, não estamos aqui para julgá-la e sim como sua confidente.
Quando me deixou, estava mais tranquila, bolando mil desculpas para não ir a cerimônia. Agora, cá entre nós, como uma frase pôde despertar uma leitora depois de tantos anos em um contexto tão diferente? Não sei em que vai dá isto, só sei que vou tomar uma chuverada de uns vinte minutos, vestir o meu pijama e dormir. Boa- noite!
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Reviver
A primeira vez, que deparei-me com ela, foi impossível ignorá-la diante de tanto sofrimento. Com aquela arrogância arrebatadora, impiedosamente sugava minhas forças.
Apesar de debilitada pude compreender por que tantos a temiam e na vulnerabilidade daquele momento, num gesto de humildade rendi-me a dor.
Passei não aceitar as medicações, arranquei o suporte de hidratação venosa e fui refugiar-me na capela do hospital. Senti alguém me espreitando e de uma certa forma vitoriosa me estendia a mão. Irritada, eu já estava rendida, o que mais ela queria?
Quando retornei ao quarto, sobre o meu leito um jornal (LC) com aquele depoimento, uma pessoa com câncer nas articulações; que não conseguia mais escrever, esforçava-se naquelas linhas trazendo um fio de esperança e fé. Entendi a mensagem e aquela mão segurei. Quero viver!
A senhora furiosa e implacável relutava com a decisão. Quando deixou o meu quarto, pude vê-la sair por meio do feixe de vida que retornava.
O pesadelo
Tinha lembranças felizes dessa vida terrena, uma delas o nascimento do filho. Nascera em fevereiro, no momento em que Momo, em sua exuberância, enchia a avenida de sons. Do quarto, da maternidade, podia ouvir os gritos e as batucadas dos foliões.
A criança só veio acrescentar àquele casal, mas como na vida, nada acontece do jeito que queremos, para eles não foi diferente. Veio a separação e ela não exitou, assumiu o papel de mãe/pai e continuou a sua jornada.
Não sei, se por ironia do destino, quando relembrava, orgulhosa, fatos sobre o filho, o toque do telefone trazia a notícia dele, preso por porte de drogas. A sensação descrita, por ela, foi aquela que todos sentimos ao perder um ente querido. Correu ao quarto, pegou o álbum, que com tanto carinho registrara os seus melhores momentos na infância, na adolescência e até então adulto. Com o coração em frangalho, procurava entender o porquê de sua escolha.
Mais tarde, mais calma, refletiu, se ele não havia pensado nela, nos filhos e nem na esposa, então que arcasse com seus próprios atos! Confidenciou-me, não saber se tomou a decisão errada, mas na hora do pesadelo, com uma dor dolorida e silenciosa, optou pela sua paz. Não lhe deu ajuda financeira, nem o visitou.
Quem sabe, dentro de uma cela poderá refletir melhor sobre suas escolhas?
Que coragem!
A criança só veio acrescentar àquele casal, mas como na vida, nada acontece do jeito que queremos, para eles não foi diferente. Veio a separação e ela não exitou, assumiu o papel de mãe/pai e continuou a sua jornada.
Não sei, se por ironia do destino, quando relembrava, orgulhosa, fatos sobre o filho, o toque do telefone trazia a notícia dele, preso por porte de drogas. A sensação descrita, por ela, foi aquela que todos sentimos ao perder um ente querido. Correu ao quarto, pegou o álbum, que com tanto carinho registrara os seus melhores momentos na infância, na adolescência e até então adulto. Com o coração em frangalho, procurava entender o porquê de sua escolha.
Mais tarde, mais calma, refletiu, se ele não havia pensado nela, nos filhos e nem na esposa, então que arcasse com seus próprios atos! Confidenciou-me, não saber se tomou a decisão errada, mas na hora do pesadelo, com uma dor dolorida e silenciosa, optou pela sua paz. Não lhe deu ajuda financeira, nem o visitou.
Quem sabe, dentro de uma cela poderá refletir melhor sobre suas escolhas?
Que coragem!
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Stress ou ...
Embora aposentada continuava a dar aulas em sua casa. Naquela manhã, levantou-se como de costume, colocou o lixo fora, foi a padaria e preparou o seu café. Olhou para o relógio, oito horas e trinta minutos, estranhou o atraso das crianças. Foi quando viu uma delas passar e falou:
- Já estava ligando para você, queria saber o porquê de sua falta!
Estranhamente, o menino respondeu:
- Mas, hoje, não é meu dia!
Imediatamente, ligou para outro aluno e o pai sonolento e confuso, não entendia por que o filho deveria estudar naquele dia. Foi quando ligou para a mãe de Carol e esta disse que não fora avisada, pela filha, sobre a aula de domingo. Aí, viu, que dera o maior fora, tentou disfarçar, desculpou-se, inventou algo, até a mim, que a acompanho a tanto tempo, conseguira me enganar.
Durante a semana, pude notá-la assustada e pensativa. Num dado momento, parece que os seus neurônios tilintaram, trazendo-a à razão. Lembrou-se que no dia anterior, sábado, recebera pessoas que só a visitavam aos domingos. Ufa... que alívio! Trocou as bolas ou melhor trocou os dias!
Mesmo satisfeita com este subterfúgio, no dia seguinte procurou o psiquiatra. Credo em cruz!
- Já estava ligando para você, queria saber o porquê de sua falta!
Estranhamente, o menino respondeu:
- Mas, hoje, não é meu dia!
Imediatamente, ligou para outro aluno e o pai sonolento e confuso, não entendia por que o filho deveria estudar naquele dia. Foi quando ligou para a mãe de Carol e esta disse que não fora avisada, pela filha, sobre a aula de domingo. Aí, viu, que dera o maior fora, tentou disfarçar, desculpou-se, inventou algo, até a mim, que a acompanho a tanto tempo, conseguira me enganar.
Durante a semana, pude notá-la assustada e pensativa. Num dado momento, parece que os seus neurônios tilintaram, trazendo-a à razão. Lembrou-se que no dia anterior, sábado, recebera pessoas que só a visitavam aos domingos. Ufa... que alívio! Trocou as bolas ou melhor trocou os dias!
Mesmo satisfeita com este subterfúgio, no dia seguinte procurou o psiquiatra. Credo em cruz!
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Fênix
O que você vai ser quando chegar à terceira idade? Não se espante e prepare-se para responder o que cansou de perguntar aos seus filhos e ao dos outros. Lembra-se?
- O que você vai ser quando crescer?
Acredito que fazíamos esta interrogação com a melhor das intenções, pensando motivar as crianças para o futuro. Mas, neste momento, quando a pergunta em questão é dirigida a você, quero com isto estar preparando-o (a) para uma vida melhor. Não se apavore, já não há mais tempo para choramingar pelos cantos, para as rabugices, para as depressões ou outras coisas do gênero. Vamos reaja! Sentindo-se "cada vez mais lindo, cada vez mais belo".
Num passado, não muito distante, as pessoas diziam, num tom pejorativo, que "coroa" seriam aqueles ou aquelas acima dos quarenta anos. Consideravam-se "idosos (as)" todos acima de cinquenta e cinco anos, e muitos (as) morriam cedo sem perspectiva de vida.
Hoje, ter acima de sessenta anos significa que ainda se tem muito a fazer em benefício próprio e para o mundo. Não espere a morte chegar "solte as suas asas, solte as suas feras," levante, caminhe, olhe para o alto e, assim, como a ave Fênix ressurja para a vida!
Não titubei, afinal, o que você vai fazer quando chegar à terceira idade?
- O que você vai ser quando crescer?
Acredito que fazíamos esta interrogação com a melhor das intenções, pensando motivar as crianças para o futuro. Mas, neste momento, quando a pergunta em questão é dirigida a você, quero com isto estar preparando-o (a) para uma vida melhor. Não se apavore, já não há mais tempo para choramingar pelos cantos, para as rabugices, para as depressões ou outras coisas do gênero. Vamos reaja! Sentindo-se "cada vez mais lindo, cada vez mais belo".
Num passado, não muito distante, as pessoas diziam, num tom pejorativo, que "coroa" seriam aqueles ou aquelas acima dos quarenta anos. Consideravam-se "idosos (as)" todos acima de cinquenta e cinco anos, e muitos (as) morriam cedo sem perspectiva de vida.
Hoje, ter acima de sessenta anos significa que ainda se tem muito a fazer em benefício próprio e para o mundo. Não espere a morte chegar "solte as suas asas, solte as suas feras," levante, caminhe, olhe para o alto e, assim, como a ave Fênix ressurja para a vida!
Não titubei, afinal, o que você vai fazer quando chegar à terceira idade?
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
A mensagem
Em cima de seu trenó, puxado por um carro de propaganda, lá estava o bom velhinho tocando o seu sininho e acenando a todos que passavam.
Os transeuntes íam e vinham, sem se dar conta do acontecimento ao seu redor. De longe, eu me perguntava - o que faz as pessoas ficarem apáticas e distantes?
Seria aquela figura grotesca com sua roupa vermelha, barba branca e suando pelos "polos", que não era do norte nem do sul?
Brincadeiras à parte! Talvez, embaixo daquela fantasia, emprestando sua pele; numa temperatura de 32º, encontra-se um desempregado fazendo biscate.
Só, depois dessa e de tantos anos, pude compreender o quanto é difícil, num país tropical, acreditar em Papai Noel!
Que o supermercado consiga seu intento. E quem sabe, no próximo ano, de uma maneira mais humana, possa nos desejar... Feliz Natal!
Os transeuntes íam e vinham, sem se dar conta do acontecimento ao seu redor. De longe, eu me perguntava - o que faz as pessoas ficarem apáticas e distantes?
Seria aquela figura grotesca com sua roupa vermelha, barba branca e suando pelos "polos", que não era do norte nem do sul?
Brincadeiras à parte! Talvez, embaixo daquela fantasia, emprestando sua pele; numa temperatura de 32º, encontra-se um desempregado fazendo biscate.
Só, depois dessa e de tantos anos, pude compreender o quanto é difícil, num país tropical, acreditar em Papai Noel!
Que o supermercado consiga seu intento. E quem sabe, no próximo ano, de uma maneira mais humana, possa nos desejar... Feliz Natal!
Volúpia
Era um domingo como outro qualquer. Espreguiçou de um lado para o outro, fez suas orações, sentiu algo diferente, mas não sabia explicar. O dia anterior passara recolhida embaixo das cobertas, devorando uma nova leitura caída em suas mãos.
Já passava das dez horas, entrou no banheiro para a higiene matinal. Olhou-se no espelho, deparou-se com a jovem existente, bela, tranquila e preguiçosa como as manhãs de outono. Havia, dentro dela, o desejo de ser amada.Não lhe deu a mínima, pois somente ela a conhecia e, apesar de toda aquela manifestação, existia o medo, a autopiedade, que a impedia de ser feliz.
Banhou-se, a água acariciava o seu corpo, numa intimidade, tal, que havia uma relação de hidrossexualismo. Chamou-se à realidade e se recompôs. O sol esboçava alguns raios, arrumou e foi comprar o jornal.
De repente, tomou rumos não planejados, foi à casa de umas amigas, atendendo a um convite para almoço. O relógio marcava cinco horas quando as deixou; mal dobrou a esquina, lá estava ele como uma aparição. Primeiro olhou aquela barriga e reconheceu o seu dono; quando se deu conta, se cumprimentavam afetuosamente. Estranhou aquela receptividade e aproveitou o máximo. Acabara de chegar à cidade, vinha a negócios.
Naquele instante, a jovem, que ela conseguira acalmar, se agitava. Não tinha mais como contê-la, pulava-lhe aos olhos, deixando transparecer toda sua volutuosidade e uma certa reciprocidade pairava naquele momento, deixando-a feliz e esperançosa.
Já passava das dez horas, entrou no banheiro para a higiene matinal. Olhou-se no espelho, deparou-se com a jovem existente, bela, tranquila e preguiçosa como as manhãs de outono. Havia, dentro dela, o desejo de ser amada.Não lhe deu a mínima, pois somente ela a conhecia e, apesar de toda aquela manifestação, existia o medo, a autopiedade, que a impedia de ser feliz.
Banhou-se, a água acariciava o seu corpo, numa intimidade, tal, que havia uma relação de hidrossexualismo. Chamou-se à realidade e se recompôs. O sol esboçava alguns raios, arrumou e foi comprar o jornal.
De repente, tomou rumos não planejados, foi à casa de umas amigas, atendendo a um convite para almoço. O relógio marcava cinco horas quando as deixou; mal dobrou a esquina, lá estava ele como uma aparição. Primeiro olhou aquela barriga e reconheceu o seu dono; quando se deu conta, se cumprimentavam afetuosamente. Estranhou aquela receptividade e aproveitou o máximo. Acabara de chegar à cidade, vinha a negócios.
Naquele instante, a jovem, que ela conseguira acalmar, se agitava. Não tinha mais como contê-la, pulava-lhe aos olhos, deixando transparecer toda sua volutuosidade e uma certa reciprocidade pairava naquele momento, deixando-a feliz e esperançosa.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Crime doloso
O dia fora normal para aquela mulher, depois da labuta, agora o descanso. Estirada em sua cama aguardava que Morfeu a transportasse para os sonhos. Tentando, talvez, ajudá-lo na trancendência, ora fechava os olhos, ora os abria. Foi quando ouviu um barulho, insistente, vindo de alguma parte do quarto. Por segundos, prendeu a respiração e a sua mente rastreou o estranho ruído.
Com uma percepção felina pulou da cama e se pôs diante do guarda-roupa, em cujo interior podia ouvir nitidamente algo mexer. Corajosamente, gritou pelo irmão que lhe veio em socorro. Se eu não fosse o narrador, com certeza, vocês não acreditariam no quadro cômico instalado naquele cômodo Os dois armados, com vassouras, abriam e fechavam o armário numa tentativa de pegar o invasor. De repente, depararam com um ser apavorado, indefeso. Este saltou com sua agilidade roedora ganhando o hall da escada, indo para o andar térreo.
Ela deixou para o outro dia as providências, voltou para o quarto, tentou dormir. Ao amanhecer, desceu a escada, deparou com aquele olhar suplicante, agonizante. Nada mais poderia ser feito, num ímpeto proferiu-lhe algumas palavras de extrema-unção, como se isso redimisse a enorme culpa .
Convocou a família, mas como cúmplice; pois ,assim, sentiria menos dolosa. Afinal fora sua mãe que indicara o veneno. O irmão, ao deparar com a cena, teve o mesmo sentimento de compaixão, isto só serviu para aumentar a sua pena .
A mãe foi imparcial - dê lhe uma cacetada, acabem com isto!
- Basta, chega de violência, esbravejou!
Enquanto isto o irmão, com uma pá, depositava o rato, sem vida, em um saco de lixo.
Com uma percepção felina pulou da cama e se pôs diante do guarda-roupa, em cujo interior podia ouvir nitidamente algo mexer. Corajosamente, gritou pelo irmão que lhe veio em socorro. Se eu não fosse o narrador, com certeza, vocês não acreditariam no quadro cômico instalado naquele cômodo Os dois armados, com vassouras, abriam e fechavam o armário numa tentativa de pegar o invasor. De repente, depararam com um ser apavorado, indefeso. Este saltou com sua agilidade roedora ganhando o hall da escada, indo para o andar térreo.
Ela deixou para o outro dia as providências, voltou para o quarto, tentou dormir. Ao amanhecer, desceu a escada, deparou com aquele olhar suplicante, agonizante. Nada mais poderia ser feito, num ímpeto proferiu-lhe algumas palavras de extrema-unção, como se isso redimisse a enorme culpa .
Convocou a família, mas como cúmplice; pois ,assim, sentiria menos dolosa. Afinal fora sua mãe que indicara o veneno. O irmão, ao deparar com a cena, teve o mesmo sentimento de compaixão, isto só serviu para aumentar a sua pena .
A mãe foi imparcial - dê lhe uma cacetada, acabem com isto!
- Basta, chega de violência, esbravejou!
Enquanto isto o irmão, com uma pá, depositava o rato, sem vida, em um saco de lixo.
sábado, 4 de dezembro de 2010
A pianista
O ônibus parou, o motorista gentilmente indicou-lhe a rua. Tirou da bolsa a agenda, conferiu o endereço. Olhou para aquele confortável sobrado e adentrou-se pela escada. A professora de música lhe aguardava no topo da escada, ali, estava ela vencendo mais uma etapa.
O piano era o instrumento o qual pretendia fazer a sua iniciação musical. Embora a professora fosse do Conservatório, de formação técnica em piano, usava o teclado para as suas aulas. A princípio, tentou de todas as formas convencê-la que o que queria mesmo, era aprender no piano.
D. Sandra estava irredutível, pois, para ela, ambos os instrumentos tinham teclados iguais. Se esta colocação viesse de um leigo, seria bastante compreensível, mas vinda de uma erudita, mostrava o despreparo e a falta de conhecimento, a decepção foi visível em seu olhar.
Resolveu, por direito e até por defesa própria, defender o piano, fez colocações brilhantes. Falou sobre as diferenças entre os instrumentos como: a colocação das claves, o físico, o som, a postura e o ser pianista e não tecladista. Foi um belo discurso mas não convincente.
Olhou para frente, viu o que a levava, ali, era a preparação para ingressar no Conservatório e resolveu ceder a este desafio. Sentou-se diante do teclado, posicionou-se, os seus dedos deslisaram sobre as teclas deixando-se ouvir as suas primeiras notas musicais: dó... ré... si.. dó...
... E o princípio era o cravo e o piano era o sonho e o teclado é que se fez instrumento.
O piano era o instrumento o qual pretendia fazer a sua iniciação musical. Embora a professora fosse do Conservatório, de formação técnica em piano, usava o teclado para as suas aulas. A princípio, tentou de todas as formas convencê-la que o que queria mesmo, era aprender no piano.
D. Sandra estava irredutível, pois, para ela, ambos os instrumentos tinham teclados iguais. Se esta colocação viesse de um leigo, seria bastante compreensível, mas vinda de uma erudita, mostrava o despreparo e a falta de conhecimento, a decepção foi visível em seu olhar.
Resolveu, por direito e até por defesa própria, defender o piano, fez colocações brilhantes. Falou sobre as diferenças entre os instrumentos como: a colocação das claves, o físico, o som, a postura e o ser pianista e não tecladista. Foi um belo discurso mas não convincente.
Olhou para frente, viu o que a levava, ali, era a preparação para ingressar no Conservatório e resolveu ceder a este desafio. Sentou-se diante do teclado, posicionou-se, os seus dedos deslisaram sobre as teclas deixando-se ouvir as suas primeiras notas musicais: dó... ré... si.. dó...
... E o princípio era o cravo e o piano era o sonho e o teclado é que se fez instrumento.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Menarca
Levantou-se indisposta, não queria ir à escola, mas sua mãe, impiedosamente, mandou que se arrumasse.
Arrastou-se até ao banheiro, olhou-se no espelho, um mal estar acompanhado de uma tonteira a impossibilitava de realizar as atividades diárias. Tentou alguns argumentos que só piorou a situação.
Lentamente vestiu o uniforme , arrumou o seu lanche, pegou o material e caminhou para o ponto do ônibus. O veículo parecia que chegaria a algum lugar, menos ao seu destino.
Na escola, o tempo não passava, fora levada ao ambulatório e o médico disse que nada tinha. De repente, correu ao banheiro, viu aquela mancha em sua roupa íntima. Assustada tentou ,de toda maneira , entender o que se passava, forrou-se de papel higiênico e voltou à sala.
Embora fosse inteligente, esperta para os seus onze anos, fora pega de surpresa. Sentia-se como alguém que cometera um delito, em vão tentava ocultar as provas incriminadoras.
De volta a casa tomou um demorado banho, mil coisas vinham-lhe a cabeça. Pensava estar doente, quando, energicamente, a mãe bateu à porta.Ao abrir, não teve como esconder os papéis, o sangue ainda escorria no ralo. Sua mãe saiu apressadamente, voltou com algumas toalhinhas higiênicas e a ordenou que as colocassem.
Só se deu conta da situação quando a vizinha gritou o seu nome e lhe deu os parabéns. Não entendeu muito, pois não era o seu aniversário, arriscou-se a perguntar por quê?
Ouviu a mulher dizer - é porque se tornara "mocinha".
Envergonhada e por deduções próprias, aprendeu com a vida... que deixara de ser menina e preparava-se para ser mulher!
Arrastou-se até ao banheiro, olhou-se no espelho, um mal estar acompanhado de uma tonteira a impossibilitava de realizar as atividades diárias. Tentou alguns argumentos que só piorou a situação.
Lentamente vestiu o uniforme , arrumou o seu lanche, pegou o material e caminhou para o ponto do ônibus. O veículo parecia que chegaria a algum lugar, menos ao seu destino.
Na escola, o tempo não passava, fora levada ao ambulatório e o médico disse que nada tinha. De repente, correu ao banheiro, viu aquela mancha em sua roupa íntima. Assustada tentou ,de toda maneira , entender o que se passava, forrou-se de papel higiênico e voltou à sala.
Embora fosse inteligente, esperta para os seus onze anos, fora pega de surpresa. Sentia-se como alguém que cometera um delito, em vão tentava ocultar as provas incriminadoras.
De volta a casa tomou um demorado banho, mil coisas vinham-lhe a cabeça. Pensava estar doente, quando, energicamente, a mãe bateu à porta.Ao abrir, não teve como esconder os papéis, o sangue ainda escorria no ralo. Sua mãe saiu apressadamente, voltou com algumas toalhinhas higiênicas e a ordenou que as colocassem.
Só se deu conta da situação quando a vizinha gritou o seu nome e lhe deu os parabéns. Não entendeu muito, pois não era o seu aniversário, arriscou-se a perguntar por quê?
Ouviu a mulher dizer - é porque se tornara "mocinha".
Envergonhada e por deduções próprias, aprendeu com a vida... que deixara de ser menina e preparava-se para ser mulher!
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Juiz de Fora, 158 Anos
Caminho por esta cidade que não é só minha. Revejo o passado num pouco que ainda lhe resta. Alguma coisa acontece em meu coração quando cruzo a São João com a Rio Branco e deparo-me com aquela moderníssima agência do Banco Itaú que outrora abrigara o meu Colégio Instituto Santos Anjos.
Fico ali parada, hipnotizada e vejo-me conduzida por meu pai até a sua entrada. Volto o meu olhar à direita e lá está o bonde Poço Rico que nos conduzia de volta ao lar. E tudo começava quando o motorneiro dava o sinal de partida, íamos deixando para trás a escola.
Surgia, à nossa frente, os casarões, o Grupo Delfim Moreira, a Catedral; descíamos a Espírito Santo e lá a Faculdade de Odontologia, o Lactário São José, a Escola Normal, o Meurer, a Cia. Mineira de Eletricidade e o Pantaleone Arcuri. Logo entrava na Ozório de Almeida, de onde podíamos avistar o muro branco do Cemitério Municipal, a Praça da República com seu lago de peixinhos dourados, o Grupo Henrique Burnier e o açougue do Sr. Sílvio que era o ponto final.
Desperto com os esbarrões e o buzinar dos carros. O tempo passou, a cidade cresceu e aqui estou... impregnada de saudade!
terça-feira, 23 de novembro de 2010
A lei do mais forte
Durante muitos anos ficou reforçado, em mim, a lei que "o mais forte" sempre vencia. Era em vão para aqueles que tentassem convencer-me ao contrário, toda esta crença fundamentava-se em meu passado.
Lembro-me da minha infância, na escola quando batia o sino para o recreio, corríamos para ocupar um lugar no zanga-burrinho (um tipo de gangorra) e sempre éramos surpreendidas pelos mais fortes da sala, nos arrancavam impiedosamente de nossos lugares. Então, este tormento acompanhou-me por um bom tempo, ainda bem, que são lembranças pretéritas. Cresci, ganhei uma estatura considerável e esta lei veio cair no esquecimento.
Todas as manhãs, eu e minha mãe ficávamos maravilhadas diante do espetáculo que acontecia no quintal vizinho. No abacateiro, diversos pássaros desfrutavam da água e do alimento colocado para eles.
Aquela cena fazia parte de nossa rotina, até... sermos surpreendidas por um bando de bem-te-vis. Só ouvimos os seus gritos de guerra, seguidos de bater o bico repicando o som. Sem exageros, este atentado inesperado foi comparado, por nós, ao inesquecível de onze de setembro nos Estados Unidos. Chegaram, apossaram, chocalharam à árvore e destruíram os ninhos, colocando as aves residentes em alvoroço.
Cecília Meireles em seu texto História de bem-te-vi, temeu pelo desaparecimento desses pássaros por conta do crescimento desordenado de sua cidade. Ledo engano, Cecília! Eles continuam, por aqui, preservados e em número maior. Teve mudanças significativas, em seu comportamento, de rebeldes à vândalos.
Por algumas semanas fomos acordadas pelo barulho estridente dos arruaceiros, talvez, haja uma explicação por parte dos ornitólogos para esse fenômeno mas para mim, voltou aquele velho trauma infantil, independente das espécies, "o grupo mais forte" sai vencedor!
Lembro-me da minha infância, na escola quando batia o sino para o recreio, corríamos para ocupar um lugar no zanga-burrinho (um tipo de gangorra) e sempre éramos surpreendidas pelos mais fortes da sala, nos arrancavam impiedosamente de nossos lugares. Então, este tormento acompanhou-me por um bom tempo, ainda bem, que são lembranças pretéritas. Cresci, ganhei uma estatura considerável e esta lei veio cair no esquecimento.
Todas as manhãs, eu e minha mãe ficávamos maravilhadas diante do espetáculo que acontecia no quintal vizinho. No abacateiro, diversos pássaros desfrutavam da água e do alimento colocado para eles.
Aquela cena fazia parte de nossa rotina, até... sermos surpreendidas por um bando de bem-te-vis. Só ouvimos os seus gritos de guerra, seguidos de bater o bico repicando o som. Sem exageros, este atentado inesperado foi comparado, por nós, ao inesquecível de onze de setembro nos Estados Unidos. Chegaram, apossaram, chocalharam à árvore e destruíram os ninhos, colocando as aves residentes em alvoroço.
Cecília Meireles em seu texto História de bem-te-vi, temeu pelo desaparecimento desses pássaros por conta do crescimento desordenado de sua cidade. Ledo engano, Cecília! Eles continuam, por aqui, preservados e em número maior. Teve mudanças significativas, em seu comportamento, de rebeldes à vândalos.
Por algumas semanas fomos acordadas pelo barulho estridente dos arruaceiros, talvez, haja uma explicação por parte dos ornitólogos para esse fenômeno mas para mim, voltou aquele velho trauma infantil, independente das espécies, "o grupo mais forte" sai vencedor!
A temperamental
Quem a visse, podia imaginá-la doce, sim, doce, porque às fêmeas atribui-se docilidade e passividade. O seus pelos todos arrepiados vindos de uma linhagem angorá davam-lhe aquele toque de elegância. Como todas, de sua raça, têm as feições de má e olhar de desconfiança, na semana de sua chegada, mal pudemos tocá-la, pois estava arisca e assustada.
Com o tempo, entre uma arranhada e outra, pudemos identificar o temperamento forte de sua espécie felina e tivemos que fazer uma série de mudanças em nossas vidas.
Quem sabe, assim, com o tempo, possamos ganhar sua confiança?
Com o tempo, entre uma arranhada e outra, pudemos identificar o temperamento forte de sua espécie felina e tivemos que fazer uma série de mudanças em nossas vidas.
Quem sabe, assim, com o tempo, possamos ganhar sua confiança?
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Dia dos Namorados
No outono, os bancos laterais direitos, de um ônibus, são os mais procurados devido à incidência de raios solares.Com os cabelos encaracolados, ainda molhados aconchegou-se no primeiro banco e desejosa de que ele nunca chegasse a lugar algum.
O veículo parara em um semáforo, vinham-lhe à mente as últimas cenas violentas, nacionais e internacionais, nas quais envolvidos policiais militares. Não aceitava uma democracia construída em cima da dor de tantas pessoas. Estava absorta, queria compreender o quê levava os homens dessa década à tamanha violência.
Foi arrancada de seus devaneios com murmúrios a sua volta. Enfiou a mão em sua bolsa, a revirou... e nada, muito chateada percebeu que havia esquecido o celular em casa. Ainda viu aquele policial afastando-se, e empunhando um lindo ramalhete de flores. Por um instante, atônita, ela desejou que aquele momento cênico fosse uma manifestação de paz e amor, emocionada o seguiu rua afora.
E do outro lado da rua, assistiu o militar entregando o buquê à amada e aí lembrou... era dia doze de junho, "Dia dos Namorados"! Ah... o amor!
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